Fala-se muito de auto-motivação. O dicionário Priberam diz-nos que a palavra existe e descreve-a. Eu digo que a motivação vive por si e só é auto porque é como um carro que nós próprios conduzimos. Digo também que o sucesso do nosso trabalho está diretamente ligado a ela.

A motivação é um dos pontos que torna simbólico, desafiador, interessante e incessante o trabalho de um Gestor ou Diretor de Recursos Humanos.

Esta auto-motivação que é só motivação (porque se vier de fora é reforço positivo que pode ser um estímulo à motivação sim) é a variável do engagement e por isso, não só do sucesso do colaborador e da sua estabilidade emocional, mas também da empresa.

Somos todos neofílicos e qualquer pessoa, no trabalho e na vida, prefere o novo (ainda que seja pior ou possa ser) do que persistir e “auto-motivar-se”. Não me refiro a ambientes tóxicos de trabalho em que a motivação seria em muitos casos masoquismo, refiro-me a épocas menos boas de uma empresa ou mesmo de um líder numa organização. A consciência das fases, faz a motivação, o apoio e a estabilidade.

Fatores que motivam os colaboradores

Já me questionaram muitas vezes em diversas conferências sobre este ponto e a resposta não é óbvia. Não será salarial a resposta. Será necessariamente a conjugação de muitos fatores que vão desde a liderança, a presença, o cuidado da organização com o colaborador e com isso a atenção, a variável salarial, as relações interpessoais na equipa, e acima de tudo, a índole e expectativas do colaborador e a sua vida versus vida útil da organização.

Começo pela componente pessoal.

Como podemos apurar a maturidade pessoal e emocional de um colaborador? Como podemos apurar de forma situacional para manter o engagement e a motivação?

De facto, não podemos.

A maturidade de hoje, devido a circunstâncias externas, pode não ser a maturidade de amanhã.

De notar o peso das redes sociais na construção estereotipada de mentalidades: favorecemos nas redes sociais a conquista de novo, e o aborrecimento de hoje, mudando, pode ser o problema de amanhã, no entanto, o novo é sempre mais apetecível do que o local onde já trabalhámos. E é legítimo e a pessoa tem de fazer este caminho.

Um fator que sempre vi motivar qualquer colaborador é a disponibilidade por parte do empregador para ouvir e entender. Não um dia, não 2 dias, mas uma constante de apoio contínuo.

Todos precisamos sempre mais

O ser humano necessita, na vida e no trabalho, sempre mais. A procura do engagement, sendo legítima, é envolve variáveis fora do alcance de qualquer empregador: desde logo as relações interpessoais entre os trabalhadores e claro, as suas próprias vidas pessoais. Não quero com isto desresponsabilizar os empregadores do reforço que devem aos seus colaboradores e de poderem propiciar uma cultura de feedback, quero com isto dizer que, o esforço contínuo em prol da felicidade organizacional e bem-estar, não depende inteiramente do empregador e que fazendo a sua parte do trabalho e uma boa parte do trabalho, está a contribuir e muito para a empresa que gere.

Hoje, do que é que precisa? Precisa de parar? Então pare também os líderes internos da sua empresa, dê uma folga necessária. Amanhã também é dia e um dia de self-care não mata a empresa, antes pelo contrário.

Amanhã precisa de dar uma palavra a alguém? Entusiasme este ciclo e uma palavra de feedback gerará justiça, tudo o que precisa para gerir bem a sua empresa.

E lembre-se sempre, sem si motivado, o exemplo de motivação interna irá falhar. Por isso, seja um líder de cuidado próprio e aos outros e transforme a sua organização uma referência de motivação.

Publicado na RH Magazine a 8 de abril de 2021